Pessoal é
com tristeza que informo que o Mauro, o 3º membro da Henrik Boden
vai se mudar e muito provavelmente não estará participando de
nossas próximas produções. Para compensar a perda resolvi preparar
uma postagem bem lúdica e divertida sobre uma degustação de
despedida que tivemos.
A
propósito, os que conhecem a história da Henrik Boden sabem que o
nome de nossa “confraria” foi decidido logo após a nossa
primeira leva uns 4 anos atrás e é uma junção do nome de seus dos
dois integrantes iniciais Henrique (Henrik) e Bode (Boden).
OBS: Bode
é meu apelido, não confundir também com os meus xarás
mestre-cerveiros - Samuel da BODEbrown e André da Serra Gelada (cujo
apelido também é Bode). Aliás, quem sabe daqui a alguns anos
quando abrir minha própria cervejaria a Henrik Boden, a Bodebrown e
a Serra Gelada não combinam de produzir uma receita juntos...
chamaríamos de 3 Bodes, que tal ? Poderíamos desenvolver uma Triple
Bock ou seria uma Drei Bock (3 bodes em alemão)*!
* Bock é
um estilo de origem alemã da cidade de Eisbeck cuja pronuncia soava
como “ein Bock”, que se traduz em “um bode”. Esse trocadilho
persistiu até os dias de hoje, onde vemos imagens de bodes nas
garrafas de cervejas bock.
O Mauro,
nosso terceiro Membro participou de 99% de nossas levas e basicamente
é o grande responsável pelo controle da sanitização, limpeza e
higiene da Henrik Boden. Se não
fosse por ele estaríamos brassando 30% de carunchos em todas as
levas, envasando em garrafas com guimba de cigarro e fermentando
cerveja até em pote de margarina.
WESTVERLETEN
12
Bem, em
sua despedida, o próprio Mauro organizou uma degustaçãozinha com
uma Westvleteren 12 como protagonista! Para acompanhar, obviamente
arrumamos coadjuvantes de peso.
Começaram
(eu cheguei atrasado) com uma Schneider Weisse TAP 7 Unser Original,
que me confidenciaram ser uma Weiss mediana (nunca tive a chance de
prova-la).
Claro que
para não embotar o paladar decidimos partir logo para a Westvleteren
12, mas antes o Mauro avisou que tinha tomado a versão Blond na
semana anterior e que ela estava intragável por conta de algum
off-flavor. O comentário serviu apenas para “lupular” a
atmosfera de suspense que já pairava no ar.
Tensos
por tão nobre momento (nenhum de nós havia sequer provado a
lendária cerveja), sequer respirávamos enquanto o Henrique servia
nossos copos. A tensão só se dissipou quando elevamos os copos para
o primeiro aroma, delicioso.
Disparávamos
elogios e comentários clássicos como bons “geeks cervejeiros”
que somos. Segue um reprodução quase fidedigna do diálogo que se
seguiu:
- MAURO: “Uma cheirada forte para os aromas frutados mais evidentes e curtas para os mais delicados e não esqueçam do retro-nasal*!!!”
- BODE + HENRIQUE: “Risadas”
- HENRIQUE: Nossa, muito equilibrada!
- BODE: Nem parece que tem mais de 10% de álcool. Um drinkability muito maior que imaginei!
- MAURO: Vocês percebem um toque torrado de malte?
- BODE: Sim, mas acho que frutas secas é ainda mais evidente...
- HENRIQUE: É como um evolução gradual. Sinto mto equilíbrio, tanto no corpo que não é seco, mas que também não é tão encorpado a ponto de comprometer a drinkability.
- MAURO: Também sinto ésteres diversos. E o amargor está no ponto certo.
- BODE: É como uma evolução, começa com um toque de caramelo sobe para frutas secas, toffe, ameixas, porto e por fim desce para um fundo de chocolate e leve tostado.
Imagino
que se a mulher do Mauro (que não bebe) estivesse escutando a
conversa no mínimo ia pensar que já estávamos bêbados! Para ser
honesto quem mais gostou da cerveja fui eu (melhor Dark Strong Ale
Belga que já provei!).
O
Henrique gostou, mas admitiu que não era um de seus estilos
favoritos (aqui entre nós, ele está numa fase de lúpulo se é que
me entendem), ele tb achou que a cerveja podia ser mais encorpada e
vigorosa. O Mauro, por sua vez, apesar de ter gostado muito, achou
que faltou um toque único que a fizesse merecer a lenda de melhor
cerveja do mundo que serpenteia ao seu redor!
OUTROS
CERVEJAS DEGUSTADAS
- Schneider Weisse TAP 7 Unser Original: Weiss mediana com todo o discurso padrão/clichê que descreve o estilo: - Aroma frutado com notas de cravo e banana, espuma volumosa e aparência turva por não ser filtrada.Weiss do Falcão (Cerveja Caseira): Segunda cerveja de trigo da noite. Mais superlativa que a primeira ou seja, bem frisante, creme duradouro, mais turva e escura (maltes especiais?). Leve off-flavor no retrogosto (butírico?) percebido pelo Mauro (eu só notei pq ele comentou) quando a cerveja já estava mais quente e que de forma alguma comprometeu o drinkability.
- Kasteel Rouge: Excelente Fruit Beer. Deliciosa, bela e de fácil drinkability! Aroma e sabor de groselha com um toque de acidez e de cereja predominaram!
- Greene King Ipa: Bitterzinha inglesa suave, leve, refrescante e com lupulagem charmosa. Não se trata de uma IPA apesar do nome!
Observações, dicas e curiosidades:
- Você sabe como se pronuncia Westvleteren ? Tente, se você acertar te pago uma Skol! Olha como ela deve ser pronunciada:
- A Westvleteren é muito, muito difícil de ser encontrada mas tem uma abadia próxima que produz as mesmas receitas (ou praticamente as mesmas), é a St. Bernardus essa trapista genérica.
- Para uma boa degustação é interessante sabermos usar nosso olfato. Existem 3 técnicas, cada qual mais adapta para certo tipo de aroma. Podemos dar um cheirada longa, curta ou o tal do retronasal que é quando bebemos e quando engolimos a cerveja damos uma puxada de ar sentido o aroma "por dentro" parece estranho mas é basicamente isso ai!
- Vale também tapar o copo com a mão em formato de concha e balança-lo para aumentar a concentração de aromas mais sensíveis e voláteis facilitando a sua percepção.























