sábado, 8 de janeiro de 2011

Trimel II - versão sem mel

Nessa leva reproduzimos a receita da trimel (uma tripel feita com mel) com algumas modificações, para começar, fizemos sem o mel hehehe.

Como de costume, vamos a receita:

  • 13kg - Malte Pilsen
  • 2kg – Carared
  • 1kg – Aveia em Flocos
  • 1kg – Centeio não malteado
  • 1kg – Cevada não malteada
  • 1kg – Trigo não malteado
  • 1,5kg – Açúcar Demerara (2° dia de fermentação)
  • 45 litros água primária (brassagem)
  • 60 litros água secundária (lavagem)
  • 25 IBU (galena para amargor e detonamos um monte de cascade e tettnang pra “limpar” o estoque aos 5 minutos finais para aroma)
  • Cor Estimada: 7 SRM
  • OG: 1085
  • FG: 1020
  • ABV: 9,4%
  • Fermento: Trapist High Gravity, purga cedida pelo Lúcio.
  • Atenuação Aparente obtida: 75%
  • 25 min entre 50-55° (parada protéica)
  • 60 min em 66/67° (Beta milase e um pouquinho de alfa milase)
  • 10 min em 78° (inativação das enzimas)
  • 15 dias em 20° (Fermentação)
  • 15 dias em 4°C (Maturação)
  • Priming 7,5 g/L (açúcar comum)

OBS: Caprichamos nos grãos não malteados para garantir uma espuma de qualidade conforme a sugestão do Mauro.


I – MOAGEM

Após trocentas brassagens com furadeira ela finalmente não agüentou o tranco e acabou queimando. Enfim, tivemos que moer tudo no braço, bem trabalhoso.

II – BRASSAGEM

Como devem ter notado usamos muitos grãos não maltados e aveia na receita e como eles são ricos em proteína foi necessário colocar 25 minutos de parada protéica.

Fora isso fizemos uma parada simples em 66/67° por 60 minutos. Ao término dos 60 minutos a temperatura havia caído até 58°C mas ainda estava na faixa de trabalho da beta-milase conforme planejamos. A idéia era começar em uma faixa em que trabalharíamos um pouco a alfa-milase para em seguida a temperatura ir baixando naturalmente até a faixa de atuação da beta-milase. Isso serviria para gerar um mosto mais rico em açúcares fermentáveis típico de uma cerveja belga.

Em seguida subimos até 78°C p/ inativação das enzimas.


III – LAVAGEM / FILTRAGEM

Pelo visto o dia foi reservado aos imprevistos. Mal terminamos a recirculação a nossa bomba parou de funcionar (provavelmente queimou também).

Ou seja, fizemos a lavagem via gravidade para aproveitar nosso sistema de “fly-sparge”.


Usamos 60 litros de água secundária (para lavar o bagaço)


IV - FERVURA


Fervemos o mosto com dificuldade já que era o final do botijão (que terminou no meio da fervura).

O confrade Lúcio, coincidentemente, havia me alertado que o ideal é trocar regularmente o botijão e não esperar que ele acabe pois no final a pressão é muito pequena o que pode dificultar a fervura de levas grandes (o que é o nosso caso).

Ou seja, se não fosse pelas resistências não conseguiríamos ferver o mosto.


V - RESFRIAMENTO

Usamos pela nosso chiller de placas que, mesmo sem gelo (tivemos preguiça de sair para comprar) e bomba (usamos gravidade, não aconselho, tem q ser bem alto), baixou a temperatura para pouco menos de 40°C em apenas uma “passada”.

Para completar o resfriamento, inovamos, fui convocado para dar um mergulho com o fermentador! A técnica funcionou e em menos de 20 minutos já estava em temperatura ambiente.


VI – FERMENTAÇÃO / MATURAÇÃO

Apesar da Trimel ter sido uma de nossas melhores levas, o mel não colaborou significativamente para o aroma na primeira tentativa quando o adicionamos no 2° dia de fermentação (dessa vez usamos açúcar demerara).

Decidimos, portanto, utilizar o mel para o primming em detrimento do açúcar de mesa comum mas acabamos esquecendo de comprar o mel na ocasião e fizemos uma Trimel, sem mel hehehhe.

Fermentamos em torno de 20°C por 15 dias e a maturamos por mais 15 dias em 4°C.


VII – DEGUSTAÇÃO

Tivemos várias cervejas a nossa disposição esse dia, todas caseiras como de costume:

  • - Smaug I: Nossa Rauchbier que envelheceu na garrafa por quase um ano
  • - Smaug II: Nossa 2ª tentativa com sabor menos assertivo de defumado, mas ainda mais complexa. Ficou mais escura também..
  • - Imperial Oatmeal Smoked Stout: Uma cerveja que fizemos com quase 11% ABV que ainda estava maturando. Claro que não agüentamos e demos umas provinhas que foram muito apreciadas por mim e pelo Fernando hehehe.

  • - Keen Bier: Cerveja do próprio Fernando que foi 3ª colocada no concurso da Acerva Carioca, uma bela robust porter com adição de extrato de favas de baunilha.
  • - Guthen bier - triguilis: Uma cerveja de trigo feita pelo Guto, um homebrewer amigo nosso que passou aqui no Rio e nos deixou umas garrafinhas de presente! Sem defeitos, uma perfeita weiss !!!
  • - Quase-Ipa: O nome diz tudo hehehe Uma cerveja do Renato Steiner, homebrewer paulista mas que faz cerveja como um autêntico carioca que como eu, adora uma inglesinha amarga.
  • - Óleo-leve: Oatmeal Stout do Renato, bastante cremosa essa cerveja.


VIII – RESULTADO

A trimel II ficou realmente gostosa e com um inesperado aroma cítrico (cascade) e floral (tettnang) proveniente da lupulagem que competiu de igual p/ igual com o frutado da fermentação. Um defeito inesperado foi que algumas garrafas estavam meio turvas e com muito fermento. Acho que fomos mesquinhos durante as trasfegas hehehe. As outras, no entanto, apresentavam uma coloração alaranjada e um bom nível de transparência.

20 comentários:

  1. Felipe RodriguesJan 8, 2011 04:07 PM

    Bode fiz uma Tripel tentando mirar um clone da Tripel Karmeliet, rapaz acertei em cheio, usei 6 tipos de maltes e adjuntos (aveia, centeio e trigo nao maltados) ficou espetacular, e ainda usei as casacas de laranja da terra e semente de coentro, ficou absurda, so o alcool que nao atenuou, ficou em 6,8%, o S-33 eh meio caido, apesar de ter bastante esteres na cervja...VOu repetir a receita apenas mudando o fermento, ovu fazer um "blend" de t-58 e s-33, vamos ver que bicho que vai dar!
    Um abraço, e boas levas!!!!!

    ResponderExcluir
  2. Felipe, de fato essa receita teve inspiração na karmeliet em relação ao S-33 ele em geral não é tão atenuativo... Acho ele em geral mais indicado para uma dubbel por exemplo!

    Para cervejas belgas um fermento líquido faz mto diferença hehe

    ResponderExcluir
  3. Pô cara, e eu achando que o monte de desastres só acontecia comigo!

    Você chegou a ler a sucessão de tragédias que foi a produção da minha Oat Meal Stout?

    PAssei tanta raiva com a aeração, que comprei uma bomba dos EUA, para aquários de profundidade, com mais pressão, e uma pedra de inox, pra ficar mais fácil de sanitizar.

    Só que vc parece mais organizado q eu... rsrsrs

    Agora estou tentando terminar a receita de uma Saison... só que, a exemplo da sua trimel sem mel, essa Saison não vai ter fermento de Saison, porque só existe líquido e não chega no Brasil vivo....

    ...A solução é encontrar outro, que forneça bom aroma frutado dos ésteres e picante dos fenóis.... Uns amigos dos EUA me sugeriram o T-58. Outros amigos daqui sugeriram o S-33.

    Quero saber o que você acha. Eu, particularmente, já li tanto sobre isso que estou quase querendo fazer duas cervejas, uma de S-33 e uma de T-58

    ein prosit!!!

    ResponderExcluir
  4. Felipe RodriguesJan 11, 2011 03:05 AM

    Marco na boa, ja usei os 2 fermentos, se vc quer ésteres, vai de s-33, o t-58 é mais limpo, mesmo em altas temperaturas. A unica vantagem que eu vejo em usar o t-58 é pra atenuação, o s-33 é mais preguiçoso. Se a tua cerva tiver mais que 6% de alcool, vai de t-58.

    ResponderExcluir
  5. Aeeeeeeeeeee Bodeee...... td bem cara???
    Espero que a Güthenbier seja tudo aquilo que vc escreveu mesmo...... """Sem defeitos, uma perfeita weiss"" ahahahahahahaha
    Grande Abraço Bode, mes que vem estarei aí novamente, vamos tomar outrasss..
    Sucessoooo

    Guto_Radigonda

    ResponderExcluir
  6. Felipe... Bode...
    O dilema e a discussão são grandes, e já virou uma discussão de nível internacional. Cervejeiros experientes aqui do Brasil têm dito o mesmo que você, e era o que eu pensava também: S-33=mais ésteres.
    Mas amigos dos Estados Unidos (inclusive um fabricante de fermento de Nova Jersey) e da Europa (cervejaria De Struse,´Bélgica), estes últimos, que usam o T-58 comercialmente, me disseram que este fermento teria um perfil mais adequado ao estilo Saison.

    Veja o que o pessoal técnico da De Struse me falou:

    "You will have a good result with T-58,
    The beer will be lively on canbonation, wich is good for a Saison,
    It will also have a slight peppry accent in aroma and taste, also typical for the character of a Saison."

    A solução para o dilema, acho, é fazer duas cervejas: Uma com T-58 e outra com S-33.

    Mas vou fazer primeiro a com T-58. Provávelmente no próximo sábado.

    Vejam bem: o FErmento líquido é a melhor opção de todas, mas estou tentando adaptar o estilo às limitações tecnológicas do Brasil, então, nesse caso, dá-lhe fermento seco!!!

    O resultado da experiência, bem como um post que estou elaborando só sobre fermento, devo postar no meu blog assim que estiver tudo pronto.

    Abraços!

    ResponderExcluir
  7. Bode... os belgas concordam com você. Isso faz de você uma autoridade???

    ResponderExcluir
  8. fala gente essa discussão de fermentos realmente tem futuro hehehe

    O T-58 é mais condimentado tanto que já vi indicarem ele até para witbiers (eu preferi o wb-06 no entanto) e tende a atenuar melhor q o S-33 que por sua vez é mais esterificado.

    Agora honestamente, sempre fiz cervejas separando a leva em 2 fermentadores com fermentos diferentes justamente para testa-los e ver qual se saiu melhor e uma conclusão é que para cervejas belgas os fermentos líquidos são de fato melhores e fazem a diferença, não estou dizendo que o T-58, o S-33 ou até msm o S-04 afinal cervejas que fazem muito sucessos os utilizam com ótimos resultados monasterium é feita com US-05 e a medieval, salvo engano é um mix de T-58 e S-33.

    Por outro lado já fiz pelo menos 5 levas de cervejas belgas em que separei um balde comf ermento liquido e outro com fermento seco. Todas as cervejas ficaram boas mas as que usei fermento líquido deram um banho!!

    Grande abraço
    PS: Ate o momento o Wyeast 1214 é o meu fermento favorito para belgas hehehe

    ResponderExcluir
  9. Felipe RodriguesJan 13, 2011 03:15 AM

    Eu sei que as vezes que usei o T-58 foram para fazer witbier, e ficou muito boa, fiz a fermentação entre 18 e 21 graus e nao senti tanto esteres, so lembro que durante a fermentação ficou um cheiro danado de ovo podre devida a produção de enxofre do fermento, alias o T-58 produz muuuuito enxofre, mas nada que uma maturação nao resolva mas a cerveja nao ficou tão esterificada como tripel com o s-33, mas isso vai de cada um, agora sobre fermento liquido aí ja não tenho nem como opinar, em quase 2 anos produzindo cerveja nunca fiz com fermento liquido pois tenho medo de comprar la fora e eles ficarem muito tempo em transito e chegarem aqui "fritos" nesse calor de 40 graus do rio.

    ResponderExcluir
  10. Felípe, se quiser estarei purgando o fermento que usei nessa leva, o Wyeast 3787 (trapist high gravity) de uma outra produção minha.

    Se usar até o final de janeiro (o ideal seria em até uma semana) acho que estará numa boa!

    Enfim se tiver interesse é só avisar que separo em um potinho esterilziado para vc !

    abraço

    ResponderExcluir
  11. Felipe RodriguesJan 13, 2011 05:24 AM

    Bode muito obrigado pela oferta. Mas eu to sem malte nenhum em casa e so devo começar a fazer alguma coisa em fevereiro.
    Mas mesmo assim obrigadão! Por isso a comunidade cervejeira aqui no brasil cresce cada vez mais, é muita camaradagem!
    Um Abraço!

    ResponderExcluir
  12. Bode, meu velho... Onde e como você consegue comprar fermento líquido e consegue o milagre de ele chegar a tempo, sem deteriorar?

    O T-58 produz enxofre? nunca notei isso, e olha que quase todas as minhas escurinhas são feitas com o T-58.... Caso ocorra isso, só a maturação é suficiente para exterminar o cheirinho agradável? Não precisa, no fim da maturação, dar uma subida na temperatura?

    Só pra constar: fiz a brassagem da Saison no último sábado, e entre as cagadinhas da produção, esqueci de adicionar o whirfloc na fervura (anta!), e por isso acabei com uma cerveja extremamente turva, que vai ficar maturando pelo menos um mês pra tentar limpar.

    O T-58 tá fermentando em rampas. Começou a 20ºC e hoje está a 22ºC. Já atenuou de 1.061 para 1.015 de sábadop à noite até segunda ao meio-dia, e acho que ainda vai atenuar mais, pois nem começou a flocular ainda.

    Hoje à noite devo subir a temp para 22,5ºC e amanhã para 23ºC.

    Abraços!!!

    ResponderExcluir
  13. Fala Marco,

    em geral eu não compro fermentos líquidos apenas propago purgas de amigos e os reutilizo( até uma 4ª ou 5ª geração). Acabo sempre fornecendo minhas "lamas" para o pessoal.

    Só comprei fermento líquido uma vez e propaguei bem para garantir uma fermentação saudável o que de fato ocorreu.

    Em relação ao T-58, nunca reparei o aroma de enxofre mas é possível, não sei dizer 100% as características dele... Uma coisa que sei,no entanto, é que ele é pouco floculento.

    Marco, uma dica, fique atento a temperatura no começo da fermentação pois nesse etapa ela é bem mais intensa e gera mto calor... se a geladeira está em 20°C é provável que a temperatura da cerveja esteja uns 3°C +ou- acima disso!

    grande abraço

    ResponderExcluir
  14. Bem observado. Mas como meu alvo é algo em torno de 23 a 25ºC, porque a idéia é obter bastante ésteres, então está OK, afinal é uma saison....


    ...Se bem que por enquanto está tão turvo que parece mais leite de cabra...kkkkkk....Maldito dia pra equecer do whirfloc! Vai ficar uns 40 dias maturando...rs

    ResponderExcluir
  15. Essa Trippel ficou espetacular. Não sei dizer se o centeio e a cevada não malteada fizeram tanta diferença assim, mas é uma receita a se repetir. O mel, na minha opinião, não fez a menor falta.

    ResponderExcluir
  16. Bode esse fogareiro que vc usa o queimador dele tem quantos caulins? Vou comprar um fogareiro que tem um queimador com cinco e vou tracar o queimador de 5 para um de 8 caulins, será suficiente para uma panela de 38 L?
    Valeu

    ResponderExcluir
  17. Oi Henrik!! Como vai?!
    Antes de mais nada, gostaria de dizer que admiro seu blog, suas sugestões e seus apuros. Só quem é realmente artesanal sabe as situações que vivemos.
    Deixe eu me apresentar. Meu nome é Alexandre Zanin e sou um maníaco por cervejas. Tenho dois bares com alguns amigos, sendo um em Ribeirão Preto e outro em São José do Rio Preto. E desde que fizemos um curso com o Botto em meados de 2009, nos arriscamos a produzir nossas levas.
    Volta e meia estou no seu site, no do Ricardo Rosa e no do próprio Botto chupinhando algumas informações para as nossas levas por aqui.
    Aos poucos, vamos nos sentindo a vontade para também criarmos nosso blog e contarmos nossas experiências de cervejeiro artesanal.
    Estou escrevendo nesse momento degustando uma Tripel que fizemos aqui. Peguei uma das várias receitas clones da Karmeliet no beer tools, misturei com sua Trimel e com umas idéias que tivemos na hora. O resultado foi muito interessante e gostaria de dividir com vocês.
    Vou mandar umas garrafinhas para um amigo que mora aí no Rio de Janeiro e gostaria que você também recebesse uma das nossas "Reserva Do Monge" para degustar.
    Topa?
    Abraço
    zanin@viladionisio.com.br

    ResponderExcluir
  18. Fala Alexandre,

    cara que bom que gostou do meu blog como referência estou sempre tentando mante-lo em dia mas nem sempre é possível hehehe.

    Enfim, adoraria receber uma "Reserva do Monge" (ótimo nome aliás rs..). Normalmente degusto as cervejas que me enviam durante nossas produções e os comentários acabam sempre indo para o blog!

    Grande abraço

    ResponderExcluir
  19. Renato dê uma olhada na postagem que fiz sobre fervura que lá tem uma foto dos nossos fogareiros.

    Sinceramente penso que os nossos podiam ser um pouco mais resistentes, a potência é suficiente para nossa panela que tb é de 68L e são de 5 caulins (nem sabia que aquilo lá se chamava caulins para ser honesto rs...).

    Grande abraço

    ResponderExcluir