Pode parecer estranho ver cervejeiros artesanais visitando uma fábrica da Schin, marca com grande rejeição no Rio de Janeiro, mas a Schincariol pode ser vista atualmente como uma agregadora (ou devoradora) de microcervejarias. Já faz alguns anos desde que a Schincariol adquiriu a Eisenbahn, a Baden Baden e a Devassa, marcas emblemáticas de cervejas gourmet no Brasil. Esta última não é exatamente o que se costuma chamar de gourmet, por ter um marketing mais voltado para a boemia que para a degustação, mas foi uma pioneira no Rio de Janeiro ao apostar em bares com chope próprio e com opções diferentes dos já batidos "claro" e "escuro". Até hoje é difícil encontrar no Rio algum outro bar que ofereça 5 chopes diferentes. Então, para todos os efeitos, foi a Devassa que realmente levantou nossos ânimos para subir a serra.
Parte do grupo reunido para pegar a van na CinelândiaA primeira parte da visita foi a habitual palestra falando da história da empresa e detalhes da produção anual e do processo cervejeiro. Tivemos a feliz presença de cervejeiros de dois cervejeiros nesta palestra: o próprio Daniel Barroso (que tomou a iniciativa de providenciar a visita) e Alexsandre Possato. Então não foi uma apresentação típica de relações públicas corporativas, tivemos respostas muito interessantes sobre os ingredientes e o processo de produção industrial e vimos até amostras de grits de milho (as provas do crime, hehe), usados em todas as lagers "convencionais". Impressionou a forma como, antes de cada resposta, o cervejeiro Possato perguntava sobre qual cerveja a pergunta se referia, contrariando a nossa impressão de que as comerciais são todas iguais. Até me arrependi de não ter levado um gravador. Aliás, como se poderia esperar, não pudemos levar câmeras para fotografar tudo aquilo que despertasse nosso interesse na fábrica.
Eu e Bode com o equipamento obrigatório na fábrica.Terminada a palestra, continuamos o tour acompanhados de mais um cervejeiro, Sidney Teles, que, como o Possato, fez cursos na Alemanha e pode ostentar sem culpa o título de mestre cervejeiro. Vimos os gigantescos tanques de brassagem e recirculação da Nova Schin, as imponentes torres onde ficam os tanques de fermentação e silos de cereais; e logo ao lado a micro-cervejaria da Devassa, que cabia inteira debaixo de um telhado bem mais baixo. Ninguém poderia me convencer, se eu não tivesse visto com meus próprios olhos, que eles realmente reconstruiram, no complexo de Cachoeiras de Macacu, a fábrica da Devassa tal como ela era originalmente. OK, eu nunca vi a fábrica original, mas vimos que a infraestrutura é bem mais tímida em tamanho e até a remoção do bagaço é diferente do restante da produção.
E então tivemos a melhor parte da visita: a degustação da Devassa. Quatro chopeiras cheinhas dos chopes Sarará (Hefeweiss ), Loura (Premium Lager), Ruiva (Pale Ale) e Índia (IPA). Apenas as cervejas puro malte, faltaram a Devassa Negra (Brown Ale) e aquela versão popular recentemente lançada, que é produzida nos mesmos tanques que as demais cervejas de massa da empresa. Depois do porre e muita conversa com os cervejeiros saímos para ver o resto da linha de produção e fizemos mais uma degustação, agora dos chopes de massa: A Nova Schin Munich (uma versão mais leve do Dunkel, carregada no caramelo) e a Devassa Bem Loura ("pilsen", ou melhor, american light lager) . Estes últimos claro que não chegaram no mesmo patamar que os primos mais ricos, mas desceram muito bem àquela altura.
Saímos de lá com uma impressão muito melhor da empresa e de algumas de suas cervejas. Foi muito gratificante ser recebido com tanta hospitalidade por profissionais especializadíssimos, muitas vezes subestimados no meio da cerveja artesanal, e que mostraram muito respeito por nós, que provavelmente não sabemos metade do que eles sabem sobre cerveja mas nos empenhamos em produzir algo de qualidade superior, custe o que custar. É assim, nutrindo uma cultura de apreço pela qualidade e sinalizando isso às grandes cervejarias, que vamos incentivar as grandes a elevar o padrão e trazer mais opções de qualidade à prateleira. Quem sabe um dia a competição seja guiada por outros parâmetros?
Esperamos a oportunidade de repetir esta experiência em outras cervejarias.
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Como vocês já devem ter percebido, este post excepcionalmente foi escrito por um outro sócio da Henrik Boden.
Fala ae Mauro, ótima postagem!!! O Passeio realmente serviu pra tirar um pouco do preconceito contra a Nova Schin além de beber varios copos de Devassa (principalmente a india e a sarara)
ResponderExcluirabçs
Pena eu não ter ido pra rever meu preconceito tb. rs. beijos
ResponderExcluirFala bode. To meio de saco cheio de engarrafar cerveja, vc sabe onde posso encontrar barril postmix por um preço maneiro? Se puder me mande e-mail feliperodriguesrj@hotmail.com.
ResponderExcluirAbraços.
Fala Felipe, os meus cornélius são todos provenientes de ferro-velho...
ResponderExcluirUm post mix "0 km" realmente é bem caro, tem um amigo q vende cornelius e keg q ele mesmo compra em ferro velho e dps restaura.
Não sei o preço dele ou mesmo se ele ainda tem alguns sobrando em todo caso vale um e-mail para conferir.
abçs
PS: O E-mail é victorvalle77@terra.com.br
Fala Bode, Henrique e Mauro. Tudo tranquilo? Queria agradecer pelo blog de vocês, pois foi o primeiro que achei sobre cerveja caseira e que me estimulou muito a iniciar a minha própria produção. Hoje acabei a fermentação primária de minha primeira leva e transferi para o fermentador secundário. Graças a vocês e outros cervejeiros que estão dispostos a compartilhar informações eu vou poder tomar a minha cerveja caseira. Obrigado e continuem assim. Lá no meu blog eu detalhei toda a produção. Grande abraço.
ResponderExcluirhttp://blackbrewer.blogspot.com
Claudio.
Claudio, tudo o que você disse é o que nós temos a dizer a tantos outros antes de nós e ainda hoje. Certamente muita gente dirá a você também. Obrigado pelo apoio. Nós somos uma praga e vamos infestar o mundo com cerveja de qualidade, feita com orgulho e carinho!
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