segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Matérias Primas: Fermento

Bem, é chegada a vez do fermento, última das 3 postagens sobre matérias primas (a princípio não vou escrever sobre a água, quem sabe mais para frente?).

Certamente o fermento desempenha um papel fundamental no processo de elaboração das cervejas artesanais, afinal sem a fermentação não poderíamos nem chamar o resultado do nosso trabalho em cerveja (nem álcool essa bebida teria aliás).

Seguindo a linha das postagens de malte e lúpulo vou primeiro estabelecer as principais características das leveduras para em seguida falar mais sobre as que estão disponíveis aqui no Brasil.

Vale ressaltar que 99% das fermentos utilizados nas produções caseiras aqui no Brasil são a partir de fermentos secos da Fermentis. São raros os cervejeiros brasileiros que utilizam fermento líquido tendo em vista que eles somente podem ser adquiridos lá fora e é de certa forma trabalhoso importa-los seja quanto pelo risco das pacotes serem barrados pela vigilância sanitária que não vê com bons olhos essa importação de microorganismos seja pelo risco dos bichinhos morrerem pelo caminho, isso sem mencionar a taxa de entrega absurda!

Resumindo, vou me ater aos fermentos secos já que provavelmente serão os que vamos utilizar.


I – Características dos Fermentos:



- Alta ou Baixa Fermentação:

Um tanto quanto simples, fermentos “de alta” produzem Ales, fermentos “de baixa” produzem Lagers. Não é demais lembrar que as Ales exigem temperaturas maiores, algo como 17 à 24°C para fermentação e uns 10°C (ou menos até) para maturar enquanto Lagers ficam 09°C à 14°C (fermentação) e uns 0 à 2°C (maturação).

- Atenuação:

Nada mais é que a medida de açucares no mosto que a levedura fermentou em álcool e CO2. Digamos que é a eficiência do fermento. Uma cepa com alta atenuação deverá gerar uma cerveja mais alcoólica baixando bastante a sua densidade enquanto uma com atenuação baixa deverá gerar uma cerveja mais encorpada mas menos alcoólica. Isso não significa que uma atenuação alta seja 100% das vezes algo desejável afinal vários estilos pedem cervejas mais encorpadas e doces e portanto um fermento com baixa atenuação pode ser indicado. Veja a relação normalmente usada:

* Baixa atenuação: 65-70%
* Média atenuação: 71-75%
* Alta atenuação: 76-80%

A fórmula para calcular a atenuação é bastante simples. Digamos que sua leva teve 1058 de OG e 1012 de FG. Subtraia a OG pela FG, o resultado é de 0,46. Então faça uma regra de 3 básica, 58 (OG) está para 100% assim como 46 (OG-FG) está para “X”. X = 79,3 então sua atenuação é de 79,3% !

OBS: Existe o que chamamos de atenuação real e aparente. Normalmente utilizamos e nos referimos a atenuação aparente (inclusive nas porcentagens e na fórmula acima) para identificar quanto do açúcar dos grãos foram convertidos em álcool e CO2. Isso acontece porque a densidade do álcool é de 0.800. Bem esse é um assunto um tanto quanto técnico, atente apenas para saber se a atenuação do fermento é baixa, média ou alta!

- Tolerância ao Álcool:

As leveduras são microorganismos delicados. Elas não sobrevivem em ambientes desfavoráveis como os que são demasiadamente alcoólicos. É por isso que os fermentos T-58 e S-33 são famosos por sua resistência ao álcool. Provavelmente você não conseguiria fermentar totalmente uma cerveja com OG elevada pelo simples fato que a maioria das leveduras morreriam conforme o teor alcoólico da cerveja fosse subindo durante a fermentação.

- Sedimentação (ou floculação)

É a capacidade da levedura sedimentar ao fundo do fermentador ao término da fermentação. Qual a consequência disso ? Bem, como as cervejas caseiras não são filtradas pode ser ruim levar uma grande quantidade de fermento para sua garrafa, ficará aquela “borra” de fermento no fundo da mesma (pode inclusive gerar algum tipo de off-flavor). Por outro lado o livro do John Palmer menciona que leveduras com alta poder de floculação muitas vezes sedimentam antes do término da fermentação o que pode gerar um nível maior de diacetíl ou deixar muitos açucares por fermentar.

-Atraso (Lag time):

Se refere ao atraso para o começo da fermentação. Muitas vezes após a inoculação do fermento, se a fermentação demorar a começar (mais de 24 horas) significa que as leveduras não foram reidratadas ou a aeração foi insuficiente.

- Aroma/Sabor:

Não é nenhum segredo que o segredo por trás das grandes cervejas belgas é o fermento. Ele trás a maioria dos aromas perceptíveis sendo certo que cada levedura passa uma característica diferente para sua cerveja. Por exemplo, um WB-06 é conhecido por trazer aromas de cravo e banana desejáveis nas cervejas de trigo, o T-58 o picante desejado por exemplo nas Witbiers e assim por diante!

Apenas para ilustrar posso afirmar que por dividir minha produção de 40 litros em 2 baldes de 20, tenho, em verdade 2 cervejas diferentes para cada produção!


II – Como usar seu Fermento ?


- Reidratação.

Segundo as instruções de uso da Fermentis, o fermento seco deve ser reidratado antes do uso. Pessoalmente acho que se você pretende fazer uma cerveja com alto OG, ou quer uma fermentação mais rápida, ou simplesmente para prevenir quaisquer problemas, essa reidratação é uma ótima pedida.

Por outro lado se você fizer uma boa aeração, creio que não terá nenhum problema em simplesmente inocular o fermento seco diretamente no balde fermentador.

Na minha primeira leva por exemplo, eu não fiz a reidratação e a cerveja atenuou de 1042 para 1006 (uma atenuação de 85%!!) em apenas 5 ou 6 dias!

Bem, reidratar seu fermento é bem simples, adicione o fermento em 10x o seu peso de água estéril. Agite gentilmente, deixe descansando (feche com papel alumínio ou tampe o recipiente como achar melhor) por 30 à 60 minutos para finalmente fazer a inoculação. Lembrando que a água deve estar entre 25 e 29°C para fermento “de alta” e entre 21 e 25°C para fermento “de baixa”.

Veja a ilustração abaixo para melhor entender o processo.


- Ativação:

Nunca fiz a ativação. Creio que seja mais indicado para fermentos líquidos o que não impede de fazer com fermentos secos.

Para isso 2 dias antes de sua brassagem inocule o fermento em um mosto esterilizado e com densidade de 1020 à 1040 para que aumente a contagem de suas células recompondo eventuais perdas como armazenagem e etc...

-Contagem de células:

Normalmente vale a seguinte fórmula - > “Quantidade de fermento = 1.000.000 de céls. X Gravidade em platos / ml de mosto”

Sinceramente ? Não vale a pena se preocupar com isso. Simplesmente adicione um sachet de fermento para cada 20 litros de sua cerveja, claro que alguns fermentos exigem mais de um sachet (o W-34/70 e o S-23 por exemplo).Tente sempre seguir as instruções do Fabricante (você pode encontra-las mais abaixo ainda nessa postagem).

Ademais, se planejar fazer uma cerveja com densidade muito alta faça a reidratação para acelerar o processo, se ainda assim quiser prevenir qualquer problema, adicione mais fermento (outro sachet) diretamente no fermentador. Adicionar mais fermento é também uma solução comum em se tratando de uma fermentação com lag time acima de 2 dias.

Segundo John Palmer, um baixo nível de células de levedura pode causar um maior lag time e uma fermentação mais lenta além de também aumentar a competição entre bactérias e outras leveduras selvagens que possam eventualmente estar presentes no seu balde fermentador.
Uma maior contagem de células de levedura pode aumentar a rapidez de sua fermentação, diminui o ph reduzindo o crescimento de bactérias e a formação de diacetil


III - Fermentos encontrados aqui no Brasil


Como eu já havia dito, basicamente temos apenas fermentos secos , principalmente os da Fermentis, disponíveis para revenda ao homebrewer brasileiro. Fiz uma tabela (como de praxe hehehe) indicado as informações mais relevantes de cada levedura para facilitar em caso de uma consulta rápida.


OBS: Eu não incluí os fermentos K-97 e S-180, pois estão apenas disponíveis em pacotes de 500 gramas voltados para a produções maiores.

No que tange aos estilos indicados para cada fermento encontrei a seguinte tabela da Fermentis:



IV – Experiências pessoais e Especificações Técnicas


Visitando fóruns internacionais, blogs e a comunidade do orkut colhi algumas “reviews” sobre alguns fermentos secos da Fermentis. Traduzi o que foi necessário e agora passo a expor algumas partes (vou citando as fontes ao conforme coloco as opiniões) e anexando também as especificações técnicas das leveduras citadas. Ainda não tive paciência de achar sobre todos os fermentos, se alguem souber de algum link interessante deixe um comentário com ele que vou prontamente adiciona-lo.


- S-04:

Especificações técnicas

O S-04 é simplesmente uma levedura ótima! Se você pensou que o US-05 é um bom fermento, então S-04 é ainda melhor para determinados estilos de cerveja. A melhor coisa sobre esse fermento é que ele é um monstro. Se você está visando fazer a sua cerveja de uma maneira muito rápida, então este é, na minha opinião, o fermento para usar. Eu fiz ESB, IPA, Pale Ales, Porters, cervejas de malte, cervejas de estilos mais leves como Amber Ales com este fermento. Ele literalmente fez uma cerveja em uma semana. É uma besta, dentro de 4-5 dias no máximo termina a fermentação com cervejas de gravidade normal (1.045-1.060).

S-04 também tem um perfil muito limpo que permite que o maltes e lúpulos brilhem ainda mais, mostrando a essência de sua cerveja artesanal.

Discussão na comunidade Cervejas Artesanais do Orkut

S-04 é guerrero!! não tem erro com ele..
já tive leva q o airlock não deu lá seu sinal de vida, e a ceva ficou bem boa com ele..
só q com ele, qualquer temperatura mais elevadinha na fermentação, parece que a cerveja veio de um bananal.... hehehe
(...)
olha... eu usei na minha ultima leva o s-04, s-05 e t-58 para a mesma cerveja. o s-04 tem um sabor bem marcante sim... mais frutado, puxando mais pra banana. o s-05 e principalmente o t-58 deram um final mais "seco". eu assumo que isso seja mesmo característica do s-04 porque é algo que eu ja tinha sentido em uma pale ale que fiz com ele, mas ambas as cervejas foram fermentadas sem muito controle, com temperaturas variando entre 19 e 22 graus.

- US-05:

Especificações técnicas

É uma levedura ale muito limpa e pode ser usado em uma grande variedade de estilos de cerveja. Use o USi-05 em Pale Ales, IPA, Double IPA, Kölsch e até mesmo Light Lager. Ele funciona muito bem para qualquer faixa de gravidade podendo lidar com até 12% sem te decepcionar. Dito isto, US-05 pode facilmente lidar com Barley Wines ou qualquer tipo de cerveja forte. Para uma cerveja média (1,050) você gostaria de lançar um pacote, para algo como uma Barley Wineou até mesmo uma double IPA eu recomendo 2-3 pacotes.
E não se preocupe em fazer um “starter” com o US-05. Quando essa levedura é embalado iestá no auge de sua performance e o fabricante desidrata a mesma na fase em que ele realmente contém todos os nutrientes para o fermento. Eu vi atividade de fermentação em menos de três horas!
Eu costumo mantê-la em temperaturas mais frescas quando fermentando Ales (18-20 graus), mas esta levedura pode fermentar em temperaturas ainda mais baixas (10-13 graus). Sim, isso mesmo! Um amigo meu fez uma pale ale leve, fermentando em temperaturas muito baixas. saiu praticamente uma lager de tão limpa e clarificada. Sinceramente, creio que ele poderia ter inscrito a cerveja em uma competição como uma lager e ninguém teria notado a diferença. Muito versátil, esta levedura. A única coisa que não gosto nesse fermento é que ele não me parece ter uma boa floculação.

- T-58:

Especificações Técnicas

Review de um homebrewer americano

A Fermentis diz que o T-58 produz muitos esteres e um sabor ligeiramente picante e apimentado. E isso seria uma coisa muito boa, mas não é toda a verdade. Eu usei o T-58 inúmeras vezes e a melhor coisa que eu achei é que ele definitivamente tem um sabor picante que não é demasiadamente ressaltado, mas é perceptível o suficiente para saber que existe. Quanto aos ésteres. . . . Eu nunca provei nenhum ao usar este produto, mas isso não significa que eles não estão lá.
Bem, eu diria um dos melhores estilos de T-58 seria uma Witbier ou alguma cerveja Saison, ou cervejas de trigo em geral. Quanto à temperatura, deixe na faixa mais quente (21 à 24°C) para extrair o máximo de seu sabor.
A única coisa que eu absolutamente odeio sobre o T-58 é a sua floculação. Muito simples: ela é horrível! Essa levedura não tem como um nível “médio” de floculação como reivindica a Fermentis em seu site. Tem péssimas propriedades de floculação. Após a fermentação primária pendurar em sua cerveja por cerca de 1 semana se você não fizer algo sobre ele. A melhor maneira é adicionar um pouco de gelatina.
Os seguintes fermentos ainda não encontrei boas reviews... Se alguém quiser contar sua experiência pessoal ou indicar um link fique a vontade!

- S-33

Especificações Técnicas

- S-23

Especificações Técnicas

- W-34/70

Especificações Técnicas

- WB-06

Especificações Técnicas


V – Fermentos Líquidos


Vou falar rapidamente sobre eles. São produzidos, principalmente, pela Wyeast e pela Whitelabs e de fato são cepas muito mais específicas e de maior qualidade que os fermentos secos. Se você planeja fazer uma cerveja bem radical e/ou voltada para algum concurso talvez seja uma boa opção ressalvado as dificuldades que implicam importar esse tipo de fermento e o seu preço bem maior.


VI - Curiosidades


- Você sabia que o US-05 costumava ser chamado de US-56. Por que a mudança de nome ? Bem, a Fermentis nomeou de US-56 devido as suas semelhanças com a cepa da Wyeasts 1056. O caso foi parar no tribunal e a Fermentis foi obrigada a renomear o fermento para US-05.

- Antigamente a fermentação era vista como um processo mágico. Afinal o mosto era deixado ao ar livre e por conta de leveduras selvagens era fermentado espontaneamente. De fato ainda hoje vejo a fermentação como um processo cercado de um toque de mistério e porque não dizer... mágica!

- O nome da leveduras de alta fermentação é Saccharomyces Cerevisiae e as de baixa fermentação Saccharomyces Calrsberginses.

- As cervejas caseiras normalmente ficam com um restinho de fermento decantado no fundo da garrafa (um dos motivos de ser aconselhado armazenar as cervejas em pé). Algumas pessoas adoram, outras preferem evitar esse último gole, eu pessoalmente não me importo nem um pouco!




quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Matérias Primas: Lúpulo

Nessa 2ª postagem sobre as matérias primas utilizadas na produção de cerveja vamos falar sobre o Lúpulo.

Para começar temos que distinguir que são classificados em lúpulos aromáticos ou de amargor. Alguns classificam os lúpulos para ambas as categorias mas eu pessoalmente discordo e prefiro defini-los apenas por sua característica mais marcante para evitar confusões. Mesmo porque nada impede que vc use lupulos de amargor para aroma e vice versa o resultado é que normalmente não seria tão desejável/econômico.

Mesmo porque todos são aptos a colaborar, em maior ou menor grau, com pelos menos 3 maneiras diferentes para a produção de cerveja artesanal.


I - As 3 principais utilidades do Lúpulo.


- Amargor:

Isso mesmo, eles conferem amargor à cerveja equilibrando o caráter doce natural da mesma. Os que são mais eficientes em passar esse amargor a cerveja são os lúpulos de amargor, conhecidos por seu alto teor de alfa ácidos.
Os alfa ácidos são resinas na flor do lúpulo responsáveis por esse amargor e são de fato a unidade para sua medição. Portanto quando falamos que determinada variedade possui 10% a/a , estamos também afirmando que 10% de seu peso corresponde as suas resinas de alfa ácidos.

- Aroma/Sabor

O lúpulo trás muito mais para a cerveja que apenas amargor, se usado corretamente ele tem o poder de maximizar seu aroma e sabor sando toques que variados como cítrico, floral, picante, e assim por diante.. Eu podia entrar em uma discussão explicando quais componentes bioquímicos como óleos essenciais, resinas e etc são responsáveis pelo aroma mas sinceramente; é uma discussão bastante complexa e acho muito mais simples confiar nas tabelas da internet, nos livros e nas informações que o vendedor disponibiliza sobre o produto. Se você realmente quiser aprender mais consulte esse artigo: The Essential Oil of Hops: Hop Aroma and Flavor in Hops and Beer

- Inibidor bactericida.

Além de contribuir com aroma e amargor o lúpulo ajuda a manter sua cerveja livre de bactérias indesejáveis sem, no entanto, afetar nossas queridas leveduras e seu árduo trabalho de fermentar a cerveja. Isso é particularmente importante para nós cervejeiros caseiros haja vista que aumenta consideravelmente a validade de nossas cerveja que raramente são pasteurizadas.

Agora que já sabemos para que serve o lúpulo vamos ver como melhor extrair seu potencial!
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II - Como usar seu Lúpulo de forma eficiente.


- Quando e como devo adicionar o lúpulo ?

Depende do estilo é claro, mas genericamente podemos dizer que os lúpulos podem ser adicionados em 3 etapas na fervura ou por dry-hopping (que será explicado mais adiante).

- Primeiro o lúpulo de amargor. Digamos uns 60/70 de fervura (para melhor isomerização)
- Segundo. O lúpulo de sabor. Em torno de 15 minutos de fervura(muitos pulam essa adição)
- Terceiro. O lúpulo de aroma. Em torno de5 minutos de fervura. (auge do aroma)

Simplesmente pese-os com uma balança de precisão até chegar na quantidade desejada e jogue no caldeirão durante a fervura nos momentos programados. Vale ressaltar que o amargor da cerveja é medido em IBU (Internacional Bitter Units) e deve ser calculado anteriormente conforme veremos mais adiante.


- Como calcular a quantidade certa de lúpulo ?

De fato existe uma forma para esse cálculo (mais de uma aliás), como é demasiadamente complicada vamos buscar um atalho. Para isso você tem que saber qual o IBU ideal para a cerveja que pretende fazer. Baixe um dos programinhas usuais que já mencionei (beersmith, beertools, promash, Qbrew...) que eles fazem esse cálculo automaticamente conforme você vai indicando a quantidade de lúpulo. Lembre-se que quanto maior o IBU mais amarga será a cerveja, tente se basear no que a BJCP indica para o estilo, uma Witbier por exemplo pede em torno de 10 à 20 IBU.

É importante medir sua OG (original gravity, também utilize os programas acima mencionados para estima-la) antes da fervura para verificar se a cerveja ficará balanceada com a quantidade de lúpulo que vc planejou utilizar.

Tente manter um padrão OG/IBU conforme o gráfico abaixo levando em consideração as características do estilo. Uma IPA por exemplo ficaria melhor na área verde escura!



Quanto ao teor de lúpulo aromático, vai de acordo com o estilo ou preferencia do cervejeiro. Em geral adiciono o mesmo peso de lúpulo para aroma e sabor (2ª e 3ª adição) do que usei para conferir o amargor (1ª adição).

Ex: Para uma 20 litros de cerveja com 30 de IBU

- 60 minutos: 18 gramas de Galena (13,00% a/a) -> 28,4 IBU (amargor)
- 10 minutos: 8 gramas de Saaz (3,20% a/a) -> 1,1 IBU (sabor/aroma)
- 3 minutos: 10 gramas de saaz (3,20% a/a) -> 0,5 IBU (aroma)

Você pode alcançar o amargor ideal para sua cerveja usando apenas lúpulos aromáticos. O resultado tende a ser praticamente o mesmo em termos de aroma e sabor pois como vimos no gráfico anterior qualquer adição de lúpulos após 30 minutos não traria praticamente nenhuma melhora marcante no gosto da cerveja.

Obviamente você pode fazer as adições em, digamos, 12 minutos para o fim da fervura. Tempo em que tanto o aroma como sabor do lúpulo ainda passam para a cerveja. Alcançar 100% do IBU desejado dessa forma de fato deve trazer um resultado fantástico para estilos como Pilsen e IPAs (dizem que a Pilsen Urquell usa somente saaz, tenho minhas dúvidas...). Um problema óbvio seria a quantidade de trub formado já que para, por exemplo, fazer 20 litros de uma Bohemian Pilsner usando somente Saaz à 12 minutos, seriam nescessários 250 gramas do referido lúpulo!

- Estocagem.

Os lúpulos de amargor tendem a perder seu potencial de alfa ácidos com o passar do tempo. Por isso é importante mante-los refrigerados (no congelador ou freezer) e de preferência em sacos lacrados para evitar contato com o ar.

Por estas razões, o “storageability "de cada variedade de lúpulo é normalmente fornecido, juntamente com os níveis de ácido alfa e beta, pelo distribuidor. Este parâmetro é geralmente dada como uma percentagem dos ácidos alfa presente depois de 6 meses em 20C. Alguns lúpulos de bom armazenamento perdem apenas 15-20% dos seus alfa ácidos, Cluster e Galena estão entre os melhores por exemplo.

A maioria dos lúpulo de aroma de alta qualidade perdem cerca de 35-65% caso não sejam armazanados nas condições descritas. É por isso que é imperativo que eles sejam comprados os mais frescos possíveis, veja a cor, quanto mais verde melhor, o amarronzado significa que o lúpulo não está mais tão fresco e deve ter perdido parte de suas características.

- Formas do lúpulo.

Em geral são 4, pellets, plugs, a própria flor, ou extrato. Aqui no Brasil em geral as cervejarias usam pellets ou extrato.

Flores, plugs e pellets do lúpulo. Dentre essas a mais usual é o pellet.

O cervejeiro caseiro aqui no Brasil fica basicamente restrito aos pellets tendo em vista que os extratos são para grandes produções (cervejarias), os plugs não são importados e as flores, bem, digamos que como também não são vendidas no Brasil você só vai conseguir usa-las se durante uma viagem resolver adquirir um punhado em uma “brew store” estrangeira para depois arriscar passar na alfândega com um saco cheio de flores de uma espécie tecnicamente “prima” de uma tal Cannabis Sativa e com um cheiro para lá de suspeito.

- Dry Hopping



O dry-hopping é um processo simples em que o cervejeiro adiciona o lúpulo, preferencialmente sob a forma de pellets, nos ultimos 5/7 dias da maturação, logo antes do envase. Isso da um aroma ainda mais marcante de lúpulo sem, no entanto, acrescentar qualquer IBU na cerveja.

Uma quantidade indicada seria a de até 10g para cada balde de 20 litros (mais pode dar um aroma excessivo que lembra grama molhada).

Trata-se meramente de se extrair os óleos dos lúpulos e, nesse caso, a situação muitas vezes pode se inverter e um lupulo tradicionalmente de amargor como nugget e columbus com altos teores de óleos, pode fornecer um bom aroma. Portanto os lúpulos nobres são mais indicados para adições no final da fervura e não para Dry-hopping. Li ainda que o certo seria usar apenas uma variedade para evitar misturar os aromas (citricos, picantes, herbal e etc..).

- Lúpulos nobres.

Lúpulos nobres são variedades distintas que foram cultivadas por séculos. Eles têm baixo índice de alfa ácidos, mas são populares por seu sabor e aroma. Entre as variedades nobres estão o Hallertauer Mittelfrueh , Spalt, Tettnanger e Saaz. Todos são boas opções (mas não as únicas) para aromatizar sua cerveja.

Bem vamos as tabelas que eu sempre gosto de usar para facilitar a visualização.


III – Tabela: Lúpulos comercializados no Brasil.


Veja bem, o clima brasileiro é impróprio para o cultivo dessa plantinha e portanto o que temos disponível é basicamente é o que é importado pelas empresas especializadas.

No que tange os cervejeiros caseiros a maior (e mais barata) fonte de lúpulo é a WE-Consultoria que vende pacotes de 250 gramas. Alternativamente, para menores quantidades, Aturma também é uma fonte viável.

Certamente não temos aqui no Brasil toda a gama de lúpulos disponível no mercado internacional fato esse que me motivou em fazer uma tabela somente com as variedades que geralmente encontramos por aqui.

........Faça aqui o download da tabela para melhor visualização.


IV – Tabelas de Lúpulos


Existem dezenas de tabelas com informações pertinentes sobre as variedades de lúpulo ainda que nem todas estejas disponíveis aqui no Brasil.

Não vou perder tempo copiando e colando as mesmas aqui para o site, vou simplesmente comentar as principais e disponibilizar seus respectivos links para consultas.

- HopUnion List: Grande fonte que informa minunciosamente detalhes da composição de cada lúpulo. Estão listados principalmente as variedades americanas e alemãs.
http://www.foamrangers.com/hops.html

- FoamRangers: Eles me ajudaram bastante com os maltes e agora com os lúpulos. Trata-se de um chat com inúmeras variedades separadas por amargor, aroma e “ambos”.
http://www.foamrangers.com/hops.html

- BYO – Brew Your Own Magazine: Sensacional essa tabela. Eles separaram por estilo, ou seja, simplesmente escolha o estilo da cerveja que pretende fazer e eles listam os lúpulos mais indicados!
http://www.byo.com/resources/hops

V - Curiosidades:

- Você sabia que somente as plantas “fêmeas” de lúpulo possuem características que colaboram na produção de cerveja? Os homens, como de costume, são uns inúteis hehehe.

- Já mencionei isso antes mas não estava brincando, o lúpulo e a maconha são realmente espécies vegetais bastante próximas!



- O lúpulo possui um efeito relaxante, aliás eles sempre foram usados no tratamento contra insônia; antes mesmo de algum espertinho resolver “temperar” sua cerveja com essa plantinha.

- Apesar de muito tentarem os cientistas ainda não descobriram uma forma de sintetizar as resinas e óleos responsáveis pelo amargor e aroma do lúpulo em laboratório. Pelo visto ainda vamos usar a plantinha por muito tempo!
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- ATENÇÃO: Apesar de parecer ração, não alimente seu cachorro com pellets de lúpulo, principalmente os de amargor.

sábado, 15 de agosto de 2009

Matérias Primas: Maltes

Acho que uma das partes que mais me enrolei quando comecei a fazer cerveja foi entender as características dos maltes, a diferença entre eles e principalmente a questão da sua complicada nomenclatura.

A razão da minha confusão é que quando começamos a pensar em nossas cervejas não queríamos simplesmente copiar receitas de alguma lugar mas sim fazer uma nossa. Claro que precisávamos compreender o papel de cada malte especial e como ele altera o sabor, cor e corpo de uma cerveja e quais combinavam melhor com determinados estilos.

Peguemos a American Brown Ale que fizemos em nossa 2ª leva como exemplo. É um estilo maltado e doce que pede toques de caramelo, chocolate, tostado, e etc... que maltes eu deveria usar para conseguir esses efeitos em minha cerveja? Bem, comecei a olhar receitas no beersmith, no site beer recipator , no receituário do beertool e nos livros que mencionei na postagem anterior.

Percebi que o Cristal 60, o Cristal 120, o chocolate malt, o Carapils eram mais frequentes e ao ler as características dos mesmo percebi que de fato eles conferem aqueles efeitos na cerveja. A questão é que nos fornecedores de insumos nacionais (WE, Agrária e Aturma), não tinham maltes com esses nomes, pelo contrário, me deparei com uma nomenclatura diversa que não sabia como interpretar como Carared, Carahell, Caraaroma, Caramunich, Carafa e etc... Ora como fazer essa ligação entre os maltes disponíveis e os que normalmente encontramos em receitas na internet ou nos livros? Como desenvolver uma receita nossa se não tínhamos como adquirir os maltes que estávamos acostumados a encontrar nas principais fontes de receitas?

Nessa postagem vou começar explicando as características de cada tipo de malte como, Lovibond (cor), poder diastático (enzimático) e sabor. Em seguida vou enumerar diversas variedades nacionais e internacionais de maltes ensinar como substituir os que frequentemente esbarramos nas receitas e livros pelos que estão disponíveis aqui no Brasil acabando com o problema de nomenclatura.

Tipos de Malte e suas características

Primeiro vamos explicar o que cada característica representa:

-Lovibond ou cor: Bem para começar existem 2 unidades para medir a cor das cervejas, SRM (americana) e EBC (européia). Via de regra quanto mais escuro/torrado for o grão, maior será o seu SRM/EBC e consequentemente mais escura será a cerveja. Vale lembrar que é comum, alguns maltes virem acrescidos de um número e a letra “L” ao lado, como “Crystal 120L” por exemplo. Isso significa que a cor (no caso a SRM) do malte é 120. Outras vezes vem com um número romano ao lado indicando uma variedade ainda mais torrada e portanto com cor ainda maior citamos o Carafa I (320 SRM) e o Carafa III (525 SRM) para ilustrar. Para economizar tempo vou usar apenas o sistema SRM mas é bastante fácil fazer a conversão para EBC com o beersmith ou outros softwares similares que postei anteriormente, eles inclusive calculam automaticamente a cor da cerveja conforme você adiciona os grãos no programa facilitando bastante a sua vida na hora de elaborar a sua receita.

- Poder diastático: Ou poder enzimático, é a quantidade de enzimas que o malte fornece à mostura e que em determinadas condições fazem a conversão do amido dos grãos em açúcares fermentáveis.

- Sabor: Os grãos de malte quando torrados a diferentes temperaturas e por diferentes tempos podem adquirir características que conferem sabores diversos a cerveja como café, toffe, caramelo, chocolate, biscoito e etc... Quando falamos que uma cerveja tem um aroma de café não significa que ela leve café na fórmula (bem temos a Demoiselle da Colorado como exceção à regra hehehe)

Os maltes e suas principais características.

OBS: Algumas caracteristicas mudam conforme a proveniência do grão afinal se eles vieram de maltarias diferentes e nada mais natural que possuam especificações diferentes. O chocolate Malt americano por exemplo tem 350 SRM e o chocolate malt inglês tem 450 SRM o que é uma enorme diferença! Com a exceção dos maltes bases colocarei somente as versões americanas dos maltes haja vista que são as utilizadas na maioria das receitas.

1- Maltes Base

A base para quase todas as cervejas receita, costumam compor uma maior percentagem do total de grãos na brassagem. Isto é devido a sua maior potencial distático, a capacidade de converter amidos complexos em açúcares fermentáveis. Todos podem compor 100% dos grãos da brassagem à exceção do malte de trigo cujo uso não é indicado em porcentagem superior à 60%.


Pale Malt ou American 2-row (Equivalente ao Malte Pilsen aqui no Brasil)
Lovibond 2 SRM. Uma variedade de malte que faz duas linhas de sementes ao longo do tronco sobre o grão cabeça. Bem modificado com um elevado poder diastático permite a brassagem com até 35% de cereais adjuntos (até mais na minha opinião). É bastante neutro e faz um excelente malte base para a maioria das receitas.

American 6-row (Não creio que esteja disponível aqui no Brasil)
Lovibond 2 SRM. Essa variedade possui seis formas distintas de linhas de sementes sobre o grão cabeça. Maior potencial diastático permite a brassagem com até 60% grão adjunto. Também tem cascas maiores por peso que a 2-Row.

German Pale Malt ou German Pils ou German 2-row (É Importado e sob o nome de Malte Pilsen Alemão aqui no Brasil mas pode ser substituído por outra variedade de Malte Pilsen)
Lovibond 2 SRM. Uma qualidade alemã. Produz um suave, granulado sabor. Indicado para lagers alemãs e Alt Beers.

British Pale Malt ou British 2-row(Substituído por Malte Pilsen aqui no Brasil)
Lovibond 3 SRM Malte britânico totalmente modificado, facilmente convertido por uma única temperatura de brassagem. Preferido por muitos fabricantes de para a produção de Ales inglesas. Este malte possui menor potecial diastático para manter adjuntos que outros variedades de malte pilsen.
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Belgian Pils (É Importado sob o nome de Malte Pilsen Belga aqui no Brasil mas pode ser substituído por Malte Pilsen normal)
Lovibond 2 SRM. Esta é uma excelente base de malte muitos estilos, incluindo lagers, ales belgas, e cervejas de trigo.

Wheat Malt (Equivalente ao Malte de Trigo aqui no Brasil)
Lovibond 2 SRM. É utilizado de 40-60% para fazer cervejas Weizen e 35-65% para Bavarian weizens. Pequenas quantidades com cerca de 3-6% auxiliam a estabilidade da espuma sem alterar sabor final. Repouso protéico é altamente recomendável devido ao elevado teor de proteínas. Pode vir na versão Dark (escura) que deve ser usada em até 50% dos grãos.

Acid or Acidulated Malt (Equivalente ao Malte acidificado aqui no Brasil)
Lovibond 2. Serve para reduzir o ph do mosto melhorando a eficiência da brassagem. Um tanto desnecessário já que os maltes atuais já são devidamente tratados para agir nesse sentido além do que o controle do ph pode ser feito de outras formas. Uso em até 5%.

Pale Ale Malt (Equivalente ao Malte Pale Ale aqui no Brasil)
Lovibond 3 SRM. Não confundir com maltes pilsen, são uma versão um pouco mais escura e com igualmente elevado poder diastático. Para usar naquela sua Ale em que você quer dar aquela caprichada!

Rye Malt (Equivalente ao Malte de Centeio Aqui no Brasil)
Lovibond 3 SRM. Confere um aroma especial podendo ser utilizado como mate base dependendo do efeito/estilo desejado.

2- Maltes Especiais

Esses maltes são produzidas de forma semelhante aos maltes base porém são expostos à altas temperaturas assim que secos possuindo um muito baixo teor de umidade. O resultado é um malte de cor mais escura, com sabor doce e menos fermentável, mas ainda mantém algumas de suas capacidades enzimáticas.

Vienna Malt ( Equivalente ao Malte Viena aqui no Brasil)
Lovibond 3,5 SRM. Viena é um rico e aromático malte que confere uma cor profunda e completa para a sua cerveja estilo Viena ou Märzen (não impede a utilização em outros estilos no entanto). Tem potência enzimática suficiente para o uso de até 100% do total do grãos da brassagem mas em geral não ultrapassa 30%.

Munich Malt (Equivalente ao Malte Munique II aqui no Brasil)
Lovibond 10 SRM. Acrescenta uma cor mais profunda e confere um sabor maltado à cerveja. Ótimo para Dark e Amber lagers. Tem potência enzimática suficiente para o uso de até 100% do total do grãos da brassagem mas em geral não ultrapassa 30%.
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Victory Malte (Equivalente ao malte melanoidina aqui no Brasil)
Lovibond 25 SRM. Um único, levemente torrado malte que proporciona um toque leve de biscoito/tostado à Ales e lagers. Use até 20% nas suas Ales, Porters e lagers escuras onde uma maior sabor maltado é desejado sem adição de maltes caramelo (Crystal) que confeririam uma doçura maior. Confere uma cor vermelha característica e geralmente buscada em Red Ales.

Aromatic (Não creio que esteja disponível aqui no Brasil)
Lovibond 26 SRM. Usado em taxas de até 10%, esse malte irá emprestar um distinto, quase exagerado aroma e sabor de malte à Ales e lagers. Tem também uma cor rica e elevado poder diastático ajudando na conversão do amido.

Biscuit Malt (Não creio que esteja disponível aqui no Brasil)
Lovibond 23 SRM. Trata-se de um único malte levemente torrado, que confere de forma mais sutil as propriedades dos maltes mais torrados. Utilizado na proporção de 3 para 15%, a que se destina a melhorar o sabor e aroma de pão e biscoitos, ou dar um leve toque torrado para lagers e Ales.

Rauch Malt e Smoked Malt ( Equivalente à Malte Defumado aqui no Brasil)
Lovibond 2 à 9 SRM. Esse malte confere um nítido e evidente sabor defumado à cerveja. Pode ser utilizado em até 100% já que possui poder distático para isso mas normalmente é utilizado na faixa de 10 à 30% nos estilos Bamberg e Rauch.

Peated Malte (Não creio que esteja disponível aqui no Brasil)
Lovibond 2,8 SRM. Levemente defumado em turfa. Transmite um suave sabor à Scottish Ales.

3- Maltes Caramelizados

Esses maltes são totalmente modificado durante o processo de malteação e torrados em temperaturas relativamente elevadas, quando ainda estão úmidos. Nesse processo os amidos são convertidos em açúcares e, em seguida, caramelizado. Eles oferecem um caráter doce maltado contribuindo para o corpo e sensação final da cerveja. Também ajuda na criação e retenção de espuma.

Carapils / Dextrin Malt (Equivale ao Malte Carapilsen aqui no Brasil)
Lovibond 2 SRM. Confere corpo à cerveja, bem como a contribui para a estabilidade da espuma. Carapils devem ser brassados com malte pilsen, devido à sua falta de enzimas. Use de 5 a 20% para estas propriedades sem adicionar cor.

10L Crystal Malt (Substituído por Carahell aqui no Brasil)
Lovibond 10 SRM. Este malte dará corpo adicionando um mínimo de cor como faz o Carapilsen, mas com uma leve doçura de caramelo. Utilizado em até 25%.

20L Crystal Malt (Substituído por Carared aqui no Brasil)
Lovibond 20 SRM. Este malte Crystal dará uma cor entre o laranja e o vermelho e um sabor doce, suave de caramelo. Uso sugerido em até 25% dos grãos.

30L Crystal Malt (Substituído por Caraamber ou Caramunich I aqui no Brasil)
Lovibond 30 SRM. Semelhante ao Carared mas adicionando ainda mais cor e doçura de caramelo. Uso sugerido em até 20% dos grãos.

40L Crystal Malt (Substituído por Caramunich II aqui no Brasil)
Lovibond 40 SRM. Este malte dará um saldo médio de caramelo cor, sabor e corpo. Uso sugerido em até 20% dos grãos.

60 L Crystal (Substituído por Caramunich III aqui no Brasil)
Lovibond 60 SRM. Este malte irá conferir um bem arredondado sabor de caramelo além de cor e doçura. É uma boa escolha se você não tiver certeza de qual variedade de usar de malte caramelo irá utilizar. Uso sugerido em até 15% dos grãos.

80 L Crystal (Substituído por Caramunich III aqui no Brasil)
Lovibond 80 SRM. Este malte vai resultar um bem pronunciado um caramelo sabor, cor e doçura. Uso sugerido em até 15% dos grãos.

120 L Crystal ( Substituído por Caraaroma aqui no Brasil)
Lovibond 120 SRM. Esse malte é bastante escuro e pode dar um complexo e acentuado sabor e aroma de caramelo na cerveja. Utilizado em pequenas quantidades deste malte irá adicionar cor e ligeira doçura, enquanto as concentrações mais pesados estão bem adaptados as cervejas mais fortes como Barley Wines e Old Ales. Uso sugerido em até 15% dos grãos.

4- Maltes Torrados

Esses maltes são produzidos por aquecimento à temperaturas muito elevadas que praticamente carbonizam todo o grão. São geralmente usados em pequenas quantidades e não adicionam qualquer potencial extra de rendimento. Em geral fornecem sabores que remetem à chocolate, café e torrado.

Special Roast (Não creio que esteja disponível aqui no Brasil)
Lovibond 50 SRM. Malte pilsen torrado para dar um inconfundível, sabor e aroma tostado e cor laranja, vermelho-alaranjado à sua cerveja. A taxa de 3 a 10% Especial Roast é um excelente complemento para a sua cerveja Viena, Märzen e Alt.

Chocolate Malt ( Substituído por Carafa I ou Malte Chocolate aqui no Brasil)
Lovibond 350 SRM. Sendo a variedade menos torrada dos maltes escuros irá adicionar uma cor escura e sabor agradável de tostado. Pequenas quantidades emprestar um sabor agradável e profundo com cor vermelha rubi enquanto maiores quantidades emprestar uma cor negra e lisa e sabor torrado. Uso sugerido de 3% à 12% dos grãos.

Roast Barley, ( Substituído por Cevada não Maltada Torrada aqui no Brasil)
Lovibond 300 SRM. Utilizar 10 a 12%, para transmitir um distinto sabor torrado para suas Stouts. Outras cervejas escuras também podem se beneficiar de pequenas quantidades (2 - 6%).

Black Patent ( Substituído por Carafa III aqui no Brasil)
Lovibond 500 SRM. O mais escuro de todos os maltes, use com moderação para adicionar cor profunda e um sabor de torrado-carvão. Não use mais de 1 para 3%. Melhor utilizado em apenas vestígios, por cor. Quase qualquer contribuição que dá à cerveja preta pode ser obtidas usando outro malte com menor impacto ao sabor.


5- Adjuntos

Apesar de não ser malte resolvi incluir os adjuntos nessa categoria. Açúcares fermentáveis podem ser obtidos de outras fontes de amido que não sejam grãos maltados e podem fornecer algumas características na cerveja que são desejáveis em certos estilos. Para melhores resultados, os adjuntos devem ser gelatinizado para tornar os amidos vulneráveis à degradação enzimática em açúcares simples.


Milho: O mais comum em adjunto nas cervejas de massa brasileiras. Atenua tanto cor e corpo. Serve para baratear a produção das grandes cervejarias ao custo de diminuir a qualidade da cerveja.

Arroz: O mais comum em adjunto nas cervejas de massa americanas. Atenua tanto cor e corpo. Serve para baratear a produção das grandes cervejarias ao custo de diminuir a qualidade da cerveja.

Aveia (flocos): Aveia melhorará a sensação e adiciona cremosidade na espuma. Comumente utilizados no estilo Oatmeal Stout.

Centeio (flocos): Transmite um distinto e acentuado sabor.

Cevada não malteada: Adiciona proteínas que promovem a retenção da espuma. Comumente utilizados Dry Stouts.

Trigo não malteado: Usado em Witbiers com cerca 45% do volume de grãos e em Lambics a 30%. Contribui uma névoa permanente de amido na cerveja. Tem um sabor mais intenso do que o trigo maltados versões além de contribuir para retenção da espuma.


Tabela dos maltes encontrados no Brasil


Como já dei as características dos maltes não vou repetir o processo já que elas seriam mais ou menos semelhantes aos seus substitutos com os devidos “poréns”. Por exemplo, o caramunich III na realidade seria um malte intermediário entre o Crystal 60L e Crystal 80L. Haja vista que possui SRM 71 enquanto as variedades americanas possuem 60 e 80 SRM respectivamente.


Além disso, vale salientar que a maioria dos maltes especiais encontrados no Brasil são da maltaria alemã Weyermann, mas também temos uma boa quantidade de maltes da Cargill Argentina dentre outras.


Para melhor visualizar essa tabela clique aqui


Tabela das maiores maltarias


Essa tabela de rápida consulta ajuda a você a substituir um malte por outro de qualidades semelhantes (mas não nescessariamente iguais) de outra maltaria. Sempre me ajudou bastante na hora de formular as receitas.

Para melhor visualizar essa tabela clique aqui



Referências:


Obviamente não tirei todas essas definições de malte e características das minhas experiências pessoas ainda que elas tenham motivando algumas alterações aqui e ali.

Aliás, a maior parte do trabalho dessa postagem foi meramente traduzir as informações que fui encontrando. Bem sem mais delongas vamos as fontes:

BYO: Uma revista sobre homebrewing que publicou em sua página na internet um "chart" com as diversas variedades de maltes separando-as por país.

Weyermann: O site dessa maltaria alemã (mas traduzido para português) possui diversas especificações de seus grãos que foram amplamente consultadas.

Knights of the Mashing Fork: Divertido site de homebrewer ingleses (o nome remete a um filme do grupo Monte Python). Uma das tabelas foi retirada desse site bem como várias informações sobre maltes.

The Foampage: Ouro site de homebrewers mas agora americanos que também passou boas informações sobre diversas características de diversos maltes e adjuntos.




quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Literatura para Homebrewers


Resolvi fazer uma postagem 100% dedicada a literatura cervejeira no qual aproveito para fazer um resuminho de alguns dos livros que consultei desde que decidi me dedicar a esse Hobbie. Aliás apesar dessa grande quantidade de livros sobre cerveja admito que não li por inteiro nenhum deles, apenas consultava-os quando queria estudar um detalhe, ver variáveis de determinada etapa da produção, aprender as características de determinado malte ou lúpulo. Enfim, ainda que os livros sejam enormemente úteis nunca achei nescessário uma leitura integral por isso os meus comentários sobre eles é relativo a essas consultas informais e é meramente um reflexo delas

A má notícia é que apesar de existirem uma infinidade de livros sobre cerveja são raros os que encontram-se disponíveis em nossas livrarias. Nada impede, no entanto, que você acesse a amazon e procure mais livros sobre cerveja.

A boa notícia é que vou disponibilizar todos os livros aqui postados e muitos outros em links para download! Vamos começar pelos principais. Boa Leitura.


How to Brew - John Palmer


Ouso afirmar que quando o assunto é cerveja caseira certamente o livro mais conhecido é o do How to Brew do escritor John Palmer.

A 1ª edição do Howtobrew foi inteiramente disponibilizada pelo autor na internet sendo uma das maiores fontes de consulta sobre o assunto.

O mais interessante é que álém de gratuita, essa edição foi praticamente toda traduzida para português por participantes da comunidade Cerveja Artesanal do orkut. Eu e o Mauro contribuímos com uma pequena parte da tradução bem como ínumeros outros confrades que mais uma vez provaram que essa é uma comunidade bem unida! How To Brew em português.

Pela facilidade eu uso ele como fonte de consulta rápida


The Complete Joy of Home Brewing - Charlie Papazian


Pessoalmente é o meu livro favorito já que ele dá uma atenção muito maior ao método All-Grain. De fato, fazer cerveja a partir dos grãos não é um método tão popular nos EUA face a sua maior complexidade. Por outro lado quase a totalidade dos cervejeiros caseiros fazer cerveja "all grain" aqui no Brasil oq é espetacular!

Não que o John Palmer seja deficiente nas informações sobre esse método apenas não é enfático como o Papazian é. Comparativamente o livro fala sobre o "extract homebrewer" em 20 páginas enquanto fala sobre o "all grain homebrewer" em 40 páginas!

Costumo pensar nele como minha fonte mais confiável de consulta!



Homebrewing for Dummies - Marty Nachel


Para ser sincero não estou 100% familiarizado com esse livro e creio que so o consultei duas vezes (quando fiz download dele e agora que estou comentando-o).

De fato ele é surpreendentemente fácil de ler, seja pela sua interface seja pelo seu linguajar descontraído.

Uma coisa é certa, ele não é somente para os "Dummies" mas para qualquer um interessado sobre o assunto e que esteja a procura de uma leitura simples e divertida sobre a produção de cerveja artesanal.

Certamente vale a pena investir um tempinho para ler algum capítulo de seu interesse!


Como Fabricar Cerveja - Silvio de Melo Martin

Eu não ia nem falar sobre esse livro mas como é um dos raros tomos nacionais sobre o assunto resolvi comenta-lo.

Trata-se de um livro publicado em 1987 e certamente levando em conta o conhecimento sobre o assunto aqui no Brasil na época o autor soube demonstrar e explicar tecnicamente algumas partes do processo.

No entanto, com o advento da internet sabemos que diversos métodos e receitas enumerados no livro estão ultrapassados. Para ilustrar o que eu disse vou repassar os ingrediente de uma receita para cerveja lager clara comum contida na página 63 do livro:
- 2kg de malte /0,5 kg de açucar cristal /250g de fubá de milho

Baixei esse livro apenas para matar


Livros com receitas de cervejas.


São inúmeros os livros que não entram na seara do processo de produção caseira de cerveja e se limitam a explanar uma série de receitas.

Pessoalmente acho absolutamente sem graça você simplesmente consultar um livro desses escolher uma receita e copia-la 100%. A maior graça em fazer cerveja em casa está justamente no processo de criação, em você desenvolver uma receita que possa chamar de sua! Claro que você pode consultar alguns desses livros para buscar inspiração ou detalhes interessantes mas na realidade são um pouco desnecessários afinal com a internet ai temos milhares de receitas de cerveja a distância de um clique!
Em todo caso vou postar aqui 4 livros "receita" que encontrei:

- Clone Brews que divulga receitas de cervejas comerciais ou ao menos receitas que tentam copiá-las, tem da Heineken por exemplo

- Homebrewer´s Recipe Guide que trás diversas receitas para se fazer a partir de extrato de malte (mas ensina como converter para all-grain) e termina falando em harmonização entre tipos variados de alimentos e cervejas,

- Homebrew Favorites e a sua continuação óbvia More Homebrew Favorites que obviamente lista várias receitas (inclusive receitas all-grain) e fala um pouquinho sobre os estilos e ingredientes de cervejas.



























Livros com temática diversa


O tema cerveja é tão rico que muitos livros não se limita a falar sobre o processo de criação mas se aprofundam em temas diversos como história, saúde, ciência, degustações e etc...

Eu realmente não me interessei em me aprofundar em nenhum desses livros então vou apenas postar algumas das capas de livros com essas características que vou disponibilizar para vocês também.




























Links para downloads dos livros:

São mais de 30 livros para download, uma grande parte eu adquiri pesquisando na internet e na comunidade "Cervejas Artesanais" do orkut. Obrigado ae Gente!

1 - Livros que ensinam a fazer cerveja:

2 - Livros contendo receitas de cerveja:

3 - Livros que discutem outros temas sobre cerveja:


Lembrando que dentre oslinks pode have mais de um arquivo referente ao mesmo livro só que em edições diferentes ou mesmo em línguas diferentes. Boa leitura!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

2ª Leva - American Brown Ale


Apelidamos essa leva carinhosamente de "Charlie Brown Ale". Trata-se de uma referência ao famoso cartoon Charlie Brown que mto lembra o nome do estilo dessa cerveja.

Essa leva esperamos que seja realmente especial, utilizando dicas presentes no blog do Ricardo Rosa decidimos acrescentar nozes e amendôas nessa cerveja durante a sacarificação e 8g/L (o ideal é de 4 a 12g/L pelo que li) de chocolate 70% durante a maturação com o intuito de conferir um toque especial e único na mesma. De fato pretendemos incluir essa leva no IV-Concurso Nacional das Cervejas Artesanais cujo regulamento acaba de sair!

Como de costume formulamos a seguinte receita de American Brown Ale no Beersmith,:

Charlie Brown Ale

Brew Type: All Grain Date: 24/7/2009
Style: American Brown Ale Brewer: Bode/Kiko
Batch Size: 40,00 L Assistant Brewer: Mauro
Boil Volume: 46,55 L Boil Time: 70 min
Brewhouse Efficiency: 60,0 % Equipment: Caldeirão 68L
Actual Efficiency: 68,0 %
Taste Rating (50 possible points): 0,0

Ingredients
Amount Item Type % or IBU
9,00 kg Pilsner (2 Row) Ger (3,9 EBC) Grain 64,7 %
1,00 kg Cara-Pils/Dextrine (3,9 EBC) Grain 7,2 %
1,00 kg Caraaroma (Weyermann) (350,7 EBC) Grain 7,2 %
1,00 kg Caramel/Crystal Malt - 40L (78,8 EBC) Grain 7,2 %
1,00 kg Oats, Flaked (2,0 EBC) Grain 7,2 %
0,70 kg Chocolate Malt (689,5 EBC) Grain 5,0 %
0,20 kg Wheat Malt, Ger (3,9 EBC) Grain 1,4 %
35,00 gm Nugget [13,00%] (70 min) Hops 26,1 IBU
10,00 gm Cascade [5,50%] (10 min) Hops 1,1 IBU
10,00 gm Cascade [5,50%] (5 min) Hops 0,6 IBU
10,00 gm Saaz [4,00%] (10 min) Hops 0,8 IBU
10,00 gm Saaz [4,00%] (5 min) Hops 0,4 IBU
1,50 items Whirlfloc Tablet (Boil 15,0 min) Misc
2,00 tbsp PH 5.2 Stabilizer (Mash 60,0 min) Misc
1 Pkgs SafBrew Specialty Ale (DCL Yeast #T-58) Yeast-Ale

Beer Profile
Estimated Original Gravity: 1,063 SG (1,045-1,060 SG) Measured Original Gravity: 1,071 SG
Estimated Final Gravity: 1,016 SG (1,010-1,016 SG) Measured Final Gravity: 1,019 SG
Estimated Color: 69,7 EBC (35,5-69,0 EBC) Color [Color]
Bitterness: 29,1 IBU (20,0-40,0 IBU) Alpha Acid Units: 1,5 AAU
Estimated Alcohol by Volume: 6,1 % (4,3-6,2 %) Actual Alcohol by Volume: 6,7 %
Actual Calories: 686 cal/l


Mash Profile
Name: Temperature Mash, 2 Step, Medium Body Mash Tun Weight: 10,00 kg
Mash Grain Weight: 13,90 kg Mash PH: 5,2 PH
Grain Temperature: 22,2 C Sparge Temperature: 78 C
Sparge Water: 40 L Adjust Temp for Equipment: FALSE

Name Description Step Temp Step Time
Protein Rest Add 34,75 L of water 55,0 C 20 min
Sacarificação alfa Heat to 66,0 C over 15 min 66,0 C 60 min
Sacarificação Beta Heat to 72,0 C over 2 min 72,0 C 40 min
Mash Out Heat to 78,0 C over 2 min 78,0 C 8 min



Notes
Como percebemos uma OG mto alta antes da fervura adicionamos 2 litros de agua e 1 litro de mosto pouco concentrado durante a mesma. Além disso foram adicionados 200 gramas de noz, 200 gramas de noz pecân e 200 gramas de amêndoas levemente tostadas e trituradas durante a sacarificação. Na maturação adicionamos a frio 8g/L de chocolate com 70% de concentração de cacau.

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Mauro passou lá em casa e me deu carona até a casa do Henrique, chegamos lá às 09:00 em ponto, no exato horário que tínhamos combinado e tb como previsto o Henrique estava dormindo. Vamos agora aos detalhes em todas as etapas da produção:


MOAGEM:

Depois de arrumar todos os equipamentos, colocar algumas cervejas na geladeira e esperar o Henrique acabar o seu desjejum decidimos começar a moagem.

Nessa leva nós pensamos em usar uma furadeira e acoplar à ela um gancho com o intuito de acelerar a moagem como podemos ver nesse vídeo. Infelizmente a furadeira que o Henrique pegou emprestada com o irmão da mulher dele devia ser meio vagabunda pois não conseguíamos usar por mais de 5 minutos que o gancho afrouxava e soltava, tentamos várias vezes até que ela pifou nas mãos do Mauro que posterior sugeriu um método deveras interessante para tentarmos implementar na próxima tentativa, o pedal-powered grain mill!



Tentamos moer os grãos com uma furedeira. Não deu certo nessa tentativa, mas vamos insistir na próxima!



Pedal-powered grain mill, método inovador para uma moagem rápida

Enfim, após a quebra da furadeira não tivemos opção senão moer no braço. Felizmente dessa vez conseguimos achar o ponto certo de moagem oque praticamente dobrou nossa eficiência em relação à primeira leva.


BRASSAGEM

Essa etapa decorreu sem problemas, aquecemos até 57°C aproximadamente 35 litros de água já que usamos 13,90 kilos de grãos. A razão ideal de kilos de grãos por litros de água é de 2,44, mas qualquer valor entre 2 e 3 funciona...

Adicionamos os grãos e a aveia ao que a temperatura da agua diminuiu para pouco menos de 55°C e em seguidamente adicionamos 2 colheres de chá de uma solução tampão chamada 5,2 PH Stabilizer que serve para manter o ph do mosto em 5,2 que é o valor ideal para ação enzimática!


Henrique e Mauro agitando e medindo a temperatura do mosto.

Deixamos em 55°C por 20 minutos para o repouso protéico por conta da aveia na receita e subimos o patamar até 65° para a sacarificação quando adicionamos nozes, nozes pecân e amendoas (200 gramas de cada).



Uma visão e aroma realmente únicos! Essa cerveja deve ficar mto especial!

Após 40 minutos constatei que a temperatura tinha diminuído bastante (estava uns 57°C ) e decidimos esquentar de volta à 65° quando deixamos mais 20 minutos.

Ato contínuo, subimos a temperatura p/ 72°C e deixamos por 40°. Novamente tivemos que re-acender o fogão p/ manter a faixa desejada (68-72°).

Por fim inativamos as enzimas ao deixar na temperatura de 78° por 8 minutos quando fizemos a transferência para o segundo caldeirão com o fundo falso acoplado.


FILTRAGEM E LAVAGEM

Essa etapa foi normal, o Mauro recirculou cerca de 30 à 35 litros do mosto (umas 12 jarras de 3 litros) enquanto eu e Henrique lavamos a panela da brassagem para nela esquentar 40 litros de água até 78°C p/ fazer a lavagem afim de obter um maior aproveitamento dos grãos.

Ocorreu tudo certinho e levamos cerca de 46 litros de mosto p/ a fervura.

Peguei uma amostra do mosto para medir a densidade mas infelizmente estava sem uma tabela de conversão de temperatura e deixamos esfriando para tentar ler o mais próximo possível dos 20°C haja vista que a leitura seria mais confiável e precisa.


FERVURA E RESFRIAMENTO

Dessa vez ferveu bem rápido o mosto e adicionamos o lúpulo de amargor (nugget), ao que fomos conferir a leitura do densímetro e nos assustamos com nossa eficiência estava mto acima do que tínhamos planejado, a OG estava uns 15 pontos acima do que o beersmith havia previsto para uma eficiência de 60%.

Eficiência nada mais é que o grau de aproveitamento que o cervejeiro teve dos grãos que utilizou. Li que os iniciantes (como nós) costuma ter uma eficiência entre 60 e 70%, mas calculo que a nossa deve ter sido em torno de 75%.

Para tentar corrigir esse ótimo "problema" adicionamos mais 2 litros de água e 1 litro de mosto pouco concentrado para "diluir" a cerveja e baixar sua densidade.

Em seguida demos início ao tradicional ritual pagão dos cervejeiros da Henrik Boden que realizam uma dança milenar invocando divindades celtas e egípcias para que estas abençoem o líquido sagrado (mosto cervejeiro) presente no caldeirão.

Terminado o ritual chegou a hora de adicionar o whirfloc e os lupulos aromáticos e finalmente finalizamos a fervura. Colhemos uma nova medida na proveta que indicou uma OG de 1071, 11 pontos ainda acima do que esperávamos (sem os 3 litros a OG teria sido de uns 1076 à 1078).


Medindo nosso OG pós fervura. Com a correção de temperatura ficou 1071!

O resfriamento foi normal e durou cerca de 30 à 40 minutos com nossos 15 metros de chiller de imersão.


FERMENTAÇÃO, MATURAÇÃO E ENVASE

Dividimos a leva em 2 baldes. No 1° inoculamos 1 fermento T-58 e no segundo US-05.

A fermentação do T-58 foi ótima, atenuou de 1071 p/ 1019 (1019 foi a FG) em 9 dias, o US-05 não foi tão bem e chegou apenas em 1027 (1027 foi a FG desse balde).

Resolvemos deixar assim, o balde US-05 ficará mais doce e licoroso, com 6% de alcool. Já o o balde do T-58 será mais "arretado" com 7% de alcool realmente essa brown vai ser "porreta". Ambos os casos já levei o primming em consideração!

As cervejas encontram-se maturando atualmente e serão envasadas (com 7,5 g/L de primming) somente dia 29/08.

Quando ela ficar pronta dou uma atualizada no blog com mais informações. Enquanto isso mais fotos e vídeos dessa leva encontram-se disponíveis aqui.